Categories
Uncategorized

Midsommar- Ari Aster

Como lidar com o fim? Acho que quase ninguém sabe essa resposta. O processo do luto é intenso e doloroso. O luto não precisa ser necessariamente devido a uma morte física, mas pode ser também de ciclos que encerram, relacionamentos, ideias… a morte simbólica de quem já fomos um dia.
E para evitar esse sofrimento tentamos ir para um lugar onde só existe a luz, mas esquecemos que onde há luz também há sombra. Uma não existe sem a outra. Quando tudo o que acreditamos pertencer ou ser já não vive mais, o que acontece? Talvez nos apegamos excessivamente a outras pessoas, religião, dogmas, drogas, tudo com a intenção de preencher e não ver o nosso próprio vazio. Esse é o processo que a protagonista atravessa durante o filme. Toda a família dela morre e ela se apega a um namoro falido para superar esse momento. Então o casal e um grupo de amigos viajam para uma comunidade rural na Suécia, onde tem um festival folclórico repleto de rituais psicodélicos e a maior parte do tempo é dia. Um lugar aparentemente muito bonito, florido, ensolarado, pessoas dançando, felizes, quase como num conto de fadas. Porém situações perturbadoras começam a acontecer pra nos lembrar que nem tudo é o que parece ser. O que existe por trás das máscaras? Então o filme assume o tom de uma bad trip transitando entre o surrealismo (o idealizado) e o terror (a realidade). Em um dos diálogos eles falam sobre como naquele local a morte é tida como uma etapa natural, e que isso causa aversão aos turistas pq a morte é um tabu cultural. Ali todo o caos que estava imerso vem à consciência da protagonista e ela permite ver, sentir e acolher a própria dor para depois transformá-la. Encerra tudo o que já não lhe servia mais e torna-se rainha. Mas não de uma maneira romântica e sim através da destruição desse mito. Porém ela está livre? Ela transforma o sofrimento das relações do passado mas, de certo modo, fica presa nos dogmas daquela comunidade.

Design a site like this with WordPress.com
Get started